Do que é real
No domingo, ainda gripado, assisti a uma maratona de "Maravilhas da Natureza", programa da BBC com 5 episódios, no qual o físico de partículas Brian Cox apresenta sua visão sobre o mundo natural. O segundo episódio, especialmente, me deixou pensando.
Cada animal na Terra experimenta o mundo de uma maneira diferente, usando um conjunto exclusivo de sentidos para detectar seu ambiente físico. Traçar a evolução destes mecanismos é uma história que nos leva através da jornada da vida - dos organismos unicelulares para os mais complexos, os seres sencientes. O programa demonstra que, ao longo de 3,8 bilhões anos, os sentidos têm impulsionado a vida em novas direções e pode, em última análise, levaram a nossa curiosidade e inteligência.
Brian começa nas profundezas das cavernas do Kentucky, onde, desprovido de luz, ele deve orientar-se somente pelos sentidos do tato e da audição. No entanto, mesmo neste ambiente limitado, ele encontra uma criatura que é perfeitamente capaz de encontrar seu caminho de volta. Este é o paramécio, um organismo unicelular microscópico. Apesar de sua aparente simplicidade, o paramécio exibe um claro sentido de tato, mudando de direção sempre que esbarra em alguma coisa.
O físico em seguida explora o sentido do paladar nas águas barrentas do Delta do Mississippi. Com um bagre de 1 metro em seus braços, Brian explica como o corpo inteiro do peixe está coberto de papilas gustativas. Estas comportam-se como uma língua gigante, permitindo que o bagre - através do "gosto"! - construa um mapa tridimensional do seu entorno mesmo em águas turvas.
Num mergulho ao largo da costa da Califórnia, Brian fica face a face com a estranha e notável tamarutaca (também conhecida como esquila ou lagosta-boxeadora). Estes habitantes do fundo do oceano veem o mundo através dos olhos feitos de 10 mil lentes, cada uma com o dobro de pigmentos visuais do que qualquer outro animal na Terra. Esses animais podem enxergar até 120 mil cores isso porque eles podem ver 12 cores primárias. Nossos olhos possuem só 3 tipos desses receptores (que respondem à luz azul, verde e vermelha) que nos permitem perceber o espectro de cores que vemos. Mas não apenas as cores, os olhos do crustáceo lhes permitem medir a profundidade (distância) dos objetos com uma precisão muito maior. Na tamarutaca, 30% de seu cérebro é dedicado ao processamento da visão.
Mas é nos olhos do polvo que Brian descobre uma ligação entre a capacidade de processar informações sensoriais com a emergência do intelecto, no que pode ser uma evidência de que os seres humanos evoluíram cérebros grandes a fim de processar a grande quantidade de informações recolhidas através do nosso sentido da visão.
Para Brian isto levanta uma perspectiva extraordinária: que em última análise foram nossos sentidos que nos permitiram olhar para a imensidão do universo e começa a entender suas origens.
O que me deixou pensando foi a ideia de que, se cada animalzinho percebe o mundo de um jeito diferente, o que é a "realidade", afinal? O mundo é como o enxergamos ou como o enxerga a tal lagosta? E não apenas o mundo físico: o que é a Realidade de maneira mais geral, sendo que ela está condicionada a como a "sentimos"? Apenas para exemplificar com arquétipos genericamente aceitos, dizem que cancerianos e piscianos adoram "viajar na maionese", imputando significados a cada palavra dita (e principalmente não dita) e cada gesto feito (e principalmente contido) porque "sentem" que tem muito mais caroço no angu. Eu já diria que isso fazemos todos!
Mas é preciso cuidado: a mesma sensibilidade que nos protege também nos sufoca. Os mesmos fatos que às vezes são insuficientes também são fundamentais para que não nos percamos. E eu termino esse "postão" com um fato: antes que alguém "viaje", NÃO me aconteceu nada, NÃO estou com problemas egípcio. Apenas foram programas bem supimpas que me botaram pra pensar, só isso. :-)
Cada animal na Terra experimenta o mundo de uma maneira diferente, usando um conjunto exclusivo de sentidos para detectar seu ambiente físico. Traçar a evolução destes mecanismos é uma história que nos leva através da jornada da vida - dos organismos unicelulares para os mais complexos, os seres sencientes. O programa demonstra que, ao longo de 3,8 bilhões anos, os sentidos têm impulsionado a vida em novas direções e pode, em última análise, levaram a nossa curiosidade e inteligência.
Brian começa nas profundezas das cavernas do Kentucky, onde, desprovido de luz, ele deve orientar-se somente pelos sentidos do tato e da audição. No entanto, mesmo neste ambiente limitado, ele encontra uma criatura que é perfeitamente capaz de encontrar seu caminho de volta. Este é o paramécio, um organismo unicelular microscópico. Apesar de sua aparente simplicidade, o paramécio exibe um claro sentido de tato, mudando de direção sempre que esbarra em alguma coisa.
O físico em seguida explora o sentido do paladar nas águas barrentas do Delta do Mississippi. Com um bagre de 1 metro em seus braços, Brian explica como o corpo inteiro do peixe está coberto de papilas gustativas. Estas comportam-se como uma língua gigante, permitindo que o bagre - através do "gosto"! - construa um mapa tridimensional do seu entorno mesmo em águas turvas.
Num mergulho ao largo da costa da Califórnia, Brian fica face a face com a estranha e notável tamarutaca (também conhecida como esquila ou lagosta-boxeadora). Estes habitantes do fundo do oceano veem o mundo através dos olhos feitos de 10 mil lentes, cada uma com o dobro de pigmentos visuais do que qualquer outro animal na Terra. Esses animais podem enxergar até 120 mil cores isso porque eles podem ver 12 cores primárias. Nossos olhos possuem só 3 tipos desses receptores (que respondem à luz azul, verde e vermelha) que nos permitem perceber o espectro de cores que vemos. Mas não apenas as cores, os olhos do crustáceo lhes permitem medir a profundidade (distância) dos objetos com uma precisão muito maior. Na tamarutaca, 30% de seu cérebro é dedicado ao processamento da visão.
Mas é nos olhos do polvo que Brian descobre uma ligação entre a capacidade de processar informações sensoriais com a emergência do intelecto, no que pode ser uma evidência de que os seres humanos evoluíram cérebros grandes a fim de processar a grande quantidade de informações recolhidas através do nosso sentido da visão.
Para Brian isto levanta uma perspectiva extraordinária: que em última análise foram nossos sentidos que nos permitiram olhar para a imensidão do universo e começa a entender suas origens.
O que me deixou pensando foi a ideia de que, se cada animalzinho percebe o mundo de um jeito diferente, o que é a "realidade", afinal? O mundo é como o enxergamos ou como o enxerga a tal lagosta? E não apenas o mundo físico: o que é a Realidade de maneira mais geral, sendo que ela está condicionada a como a "sentimos"? Apenas para exemplificar com arquétipos genericamente aceitos, dizem que cancerianos e piscianos adoram "viajar na maionese", imputando significados a cada palavra dita (e principalmente não dita) e cada gesto feito (e principalmente contido) porque "sentem" que tem muito mais caroço no angu. Eu já diria que isso fazemos todos!
Mas é preciso cuidado: a mesma sensibilidade que nos protege também nos sufoca. Os mesmos fatos que às vezes são insuficientes também são fundamentais para que não nos percamos. E eu termino esse "postão" com um fato: antes que alguém "viaje", NÃO me aconteceu nada, NÃO estou com problemas egípcio. Apenas foram programas bem supimpas que me botaram pra pensar, só isso. :-)

Comentários
Que dúvida cruel!!!
O q á a realidade???
rs
Mas, falando dos bichinhos, natureza e tals lembrei que para Morticia Addans: " A normalidade é uma ilusão. O normal para uma aranha é um caos para a borboleta".
Verdade, mas é uma filosofia de facebook.
Beijos
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