A medida certa

Meu amigo disse à sua esposa que não aguenta mais viver com ela.

Acho que a situação se agravou com o nascimento do filhote, que nem 1 ano completou ainda. Meu amigo reclama que sente falta de ter um tempo pra si, de chegar em casa e não precisar fazer nem falar nada por um par de horas.

Eu lhe entendo. Ele tem todos os dias muito corridos e estressantes no trabalho. Reuniões, problemas, reclamações. Todo santo dia.

O problema é que ela também trabalha. Longe estão os anos em que a esposa podia (e queria?) ficar em casa para cuidar das crianças e da casa, o que por si só já é um trabalho e tanto.

"Coincidentemente", momentos antes eu lia e postava as frases da Patrícia Abravanel sobre sua infância com o papai Silvio Santos. Não as achei "pedantes", apenas achei curiosa a naturalidade com que comenta sobre uma vida que é irreal para a maioria das pessoas: "impossível viajar sem babá", "cozinhando em Aspen". Também tinha acabado de ler a crônica do Guilherme Arantes que a Luminha (http://luzdeluma.blogspot.com) postou.

Todo mundo precisa de um descanso, inclusive do próprio cônjuge. Talvez hoje em dia seja mesmo difícil manter um casamento sem a ajuda de um(a) auxiliar. Ou não: o cansaço não é sempre culpa da família, mas dessa vida de labuta pra pagar as nossas contas. Casar, criar alguém... essas coisas deveriam ser motivo apenas de prazer!

O ideal seria ambos os pais terem direito a trabalhar por meio período até que o filho completasse 7 anos pra que sua vida fosse mais leve e pudessem proporcionar à criança e ao casamento um desenvolvimento mais saudável, mais feliz.

Porque por mais que eu entenda o meu amigo e o Guilherme, e embora eu acredite que o amor não precise ser eterno pra ser amor, certos laços só se amarram com força quando a gente tem tempo e disposição física e mental (além da emocional) pra se dedicar a eles.

Afinal, se grude demais nunca é bom, liberdade demais também não.

Comentários

Anônimo disse…
Resolver essa equação da medida certa em um relacionamento é quase resolver o enigma do universo! Difícil, mas vale a pena tentar!
bjs
Latinha disse…
Essa é uma daquelas coisas que eu ia precisar de muitas linhas para poder tentar me fazer entender...

Mas em linhas gerais, eu penso que essa é uma situação muito comum, e quase sempre (na minha humilde opinião), o filho e a falta de tempo são só a cereja de um sundae que começou a ser feito a mais tempo.

Por mais que entenda que todos precisamos de espaço e um pouco de individualidade, supostamente "o amor" deveria ser o meio para que essa negociação acontecesse...

Enfim, infelizmente é uma pena...

Abração!
São muitos os fatores que prolongam ou diminuem a vida de uma relação (inclusive sua/nossa própria natureza, mutante). Aqui, tratei apenas do "ambiental", externo.
Douglas Marques disse…
Precisamos de válvulas de escape. Aí é que está o problema... algumas são anti éticas... :)
Luma Rosa disse…
Oi, Edu!
Vejo muitos casamentos acabarem quando o casal tem filho pequeno, justamente porque o tempo que era do marido, a mulher passa a dedicar ao filho. O amor próprio do seu amigo está sendo canalizado como raiva pela esposa. Desculpa, mas seu amigo é muito mimado! Ele não quer ser pai ou marido, ele precisa de uma mãe.
Cansado? Atualmente todos nós estamos cansados e essa é a desculpa mais esfarrapada para abrir uma cerveja e se estatelar no sofá.
A mulher chega cansada em casa e ainda tem que cuidar do filho, da casa e ainda paparicar um marido carente.
Por isso as mulheres que conheço, ao se separarem não querem mais casar de novo.
Cada um vive a realidade da maneira que o dinheiro compra, mas devíamos amar mais as pessoas que nos amam. Vamos cultivar caroços (rs*)
Beijus,
Discordo um pouco, Luminha. Meu amigo não quer uma mãe. Quer voltar a viver sozinho, como viveu por anos antes de se casar. E ele não errou por ter se casado, não o fez por pressão da idade ou da sociedade. Fez por que quis. Foi pai porque quis. Mas concordo que ele deveria tentar um pouco mais, mudar algumas coisas antes de jogar a toalha. Porque talvez seu cansaço seja externo e não familiar. Mas estou falando sem grandes conhecimentos da vivência do casal, e por ainda achar que insistir em alguma coisa pode ser mais prejudicial para o Amor que desistir dessa coisa.
E eu acho errado que qualquer mulher tenha que trabalhar, voltar pra casa e cuidar de tudo sozinha. Mas também vejo uma cultura em que existe sim um abandono por parte delas para com seus maridos. O esforço tem que vir dos dois lados, tanto para a criação dos filhos quanto para a manutenção do amor do casal.
tesco disse…
É até fácil visualizar estes casos com olhos de homem. Mas é preciso olhar o que é (ou se torna) a vida de uma mulher com filho pequeno e marido
'desistente'. Acaso ele tem a opção de desistir? Vai abandonar o filho pra poder trabalhar?
Ainda creio que a responsabilidade da vida em comum é de todos que compõem o conjunto. Dizer: "Ah, eu tentei, mas vida de casado cansa muito", e largar tudo é fácil, mas que é covardia, é!
Abraço.
tesco disse…
Onde se lê 'ele', leia-se 'ela'.
Acaso ela tem a opção de desistir?

Claro que tem!!

Acaso um homem é incapaz de criar uma criança, da mesma maneira que uma mãe que trabalha? Seja ele viúvo, solteiro, ou casado com outro homem...? Meu amigo, em particular, sabe lavar, passar e cozinhar muito bem!

Outras mulheres cansadas também podem optar (e o tem feito, principalmente na Europa) por deixar um casamento e filho pequeno, por que não? Que as impede?

Acho que essa noção de que o filho TEM QUE ficar com a mulher é resquício de nossa cultura machista...

Acho que numa separação, o filho devia ficar 15 dias ou 1 mês morando com cada um.

Assim ambos descansam.

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