Ai de ti, Copacabana, de pecadora te fizeram santa e casta, episcopal, carola, sem as ondulantes moças que repetem na cintura o desenho das tuas cangas e calçadas.
Ai de ti, Copacabana, entregue ao papa, o inimigo do bom blasfemo León Ferrari, o artista da obra que ilustra este post, genial argentino - da estirpe Maradona - morto anteontem.
Ai de ti, Copacabana, fechaste até o Barbarella, nunca foste tão respeitosa e puritana, ai de mim novo morador do pedaço, ai dos homens que vêm de longe com fome transatlântica, os homens que não comungam da mesma cartilha de Roma, os ateus, os agnósticos, os judeus, os relaxadíssimos católicos não-praticantes, os vikings, os selvagens de todas as naturezas.
Ai de ti, Copacabana, paciente a ouvir a missa do papa e a testemunhar a passagem da gente jovem que nega os prazeres da própria idade, avarentos negadores do desejo à flor da pele. Deus castiga, meninos, tudo tem o seu tempo, não joguem apenas pelo ralo a força testosterônica.
Ai de ti, Copaca…